A cerca de um ano de tentar se reeleger, a presidente Dilma Rousseff adotou o mote "vamos continuar sendo" no programa do PT transmitido em rede nacional de TV nesta quinta-feira, que focou o programa Mais Médicos e os dez anos do Bolsa Família, principais bandeiras da década em que o partido está à frente do governo federal.
O programa teve a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu o Bolsa Família, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, provável candidato ao governo de São Paulo no ano que vem, que falou sobre o Mais Médicos.
Padilha teve participação mais destacada no programa petista do que os governadores Jacques Wagner (Bahia), Agnelo Queiroz (Distrito Federal), Tarso Genro (Rio Grande do Sul), Tião Viana (Acre) e o presidente do PT, Rui Falcão.
"O Brasil fez, faz e fará. O nosso futuro será maior que a soma de todos os nossos sonhos", disse Dilma no programa.
A presidente afirmou que o Brasil é um país que tem criado empregos, que tem reduzido a desigualdade sempre com o mote "vamos continuar sendo" acompanhado de outras vozes além da de Dilma.
"Somos um país que cresce com distribuição de renda e inflação controlada. E vamos continuar sendo", disse Dilma.
O programa na TV, que atribuiu a viabilidade do Bolsa Família e do Mais Médicos à "alma guerreira e coração apaixonado do PT", também teve uma defesa enfática de Lula do programa de transferência de renda.
"No Brasil, quando o dinheiro vai para o mais rico, dizem que é investimento. Quando vai para o mais pobre, dizem que é gasto, que é esmola. Tem políticos que até hoje defendem cortar a verba do Bolsa Família, são os mesmos que ficam falando que é preciso oferecer porta de saída", disse o ex-presidente.
"Quer saber? Deixa eles falarem, porque o Bolsa Família é como um bolo. Quanto mais bate, mais ele cresce", acrescentou.
(Reportagem de Eduardo Simões)
Um terço dos usuários de planos de saúde recorre ao SUS ou paga consulta
Do UOL Em São Paulo
Tantos são os problemas e dificuldades enfrentados com planos de saúde no país que 30% dos usuários recorrem ao SUS (Sistema Único de Saúde) ou ao atendimento particular para receber cuidado médico adequado. É o que mostra uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com o Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (17), às vésperas do Dia do Médico.
Você já teve que recorrer ao SUS ou ao atendimento particular por ter tido algum problema com o plano de saúde?
O levantamento indica que houve um aumento de 50% na procura de usuários de convênios por atendimento particular ou pelo SUS em relação à apuração anterior, feita no ano passado. Em 2013, 22% das pessoas que têm plano de saúde tiveram que recorrer ao sistema público, contra uma proporção de 15% registrada no ano passado. E 12% tiveram que arcar com o atendimento este ano, contra 9% em 2012.
O maior crescimento na procura por outras opções de atendimento ocorreu principalmente na capital, entre as mulheres e entre os usuários com idade entre 25 e 34 anos.
Metodologia
A pesquisa foi realizada junto à população adulta do Estado de São Paulo que utilizou planos de saúde dos últimos 24 meses. Foram consultados homens e mulheres, com 18 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, que possuem plano ou seguro saúde como titulares ou dependentes.
A amostra total é de 861 entrevistas, feitas em setembro deste ano. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
Os entrevistados apontaram queixas como a dificuldade para marcar consultas e para realização de exames, cirurgias e procedimentos de maior custo, entre outros pontos.
Entre os usuários, 79% relataram problemas. A APM diz que, projetando-se a proporção para os 10,4 milhões de usuários, há 8,2 milhões de pessoas com queixas. Cada pesquisado apontou mais de quatro problemas referentes ao plano de saúde.
Queixas
Questionados sobre a utilização de serviços e a percepção de problemas, 66% dos entrevistados reclamaram de dificuldades em consultas médicas e 47%, na realização de exames. Já o pronto atendimento, terceiro em uso, é o serviço com maior índice de problemas: 80% dos usuários apresentaram queixas.
No item consultas médicas, demora na marcação (52%), médico que saiu do plano (28%), e demora na autorização da consulta (25%) são as queixas mais citadas pelos usuários.
Quando aos exames e diagnósticos, as queixas são recorrentes para demora para marcação (28%), poucas opções de laboratórios e clínicas especializadas (27%), e tempo para autorização do exame ou procedimento (18%). Local de espera lotado é o principal problema apontado pelos usuários do pronto atendimento (74%). Demora para ser atendido também é um aspecto importante, mencionado por 55% dos usuários. Outras reclamações citadas são demora ou negativa para realização de procedimentos necessários (16%), locais inadequados para receber medicação (13%) e negativa de atendimento (9%). Internações Quarenta e um por cento dos usuários que precisaram ser internados relataram problemas, o que foi projetado para um total de 800 mil pessoas. Do total, 30% reclamaram da falta de opções de hospitais; 12% de dificuldade ou demora para o plano autorizar a internação; e 8% da falta de vaga no hospital procurado. Dos 16% de usuários que passaram por cirurgia, um quarto relatou problemas como a demora na autorização (17%) e falta de cobertura para materiais especiais (9%). Entre os entrevistados, 15% já fizeram alguma reclamação, recurso ou notificação contra o plano de saúde. A negativa para cirurgia foi o motivo mais apontado pelos beneficiários que recorreram à Justiça.
Antes de aderir a um plano de saúde, o consumidor precisa se informar sobre todas as condições do contrato, para não correr o risco de ser surpreendido no futuro. Veja, a seguir, algumas perguntas que devem ser feitas antes da assinatura do contrato Shutterstock